edição #377

Bom dia. A transição do plantão para o consultório próprio é um dos movimentos mais desejados e menos planejados da carreira médica, e a diferença entre quem consegue e quem volta para o plantão em seis meses está em detalhes concretos de posicionamento e captação. O CFM proibiu o PMMA como preenchedor em todo o Brasil, com a resolução entrando em vigor hoje. A finerenona foi aprovada pelo FDA para insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, expandindo o arsenal terapêutico de uma condição historicamente sem opções. E a semaglutida brasileira Ozivy teve seu preço máximo definido com expectativa de chegar às farmácias por cerca de R$630. Começa aqui.

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Sair do plantão e montar carteira de clientes não é sorte. É método.

Reprodução: Imedicina

O plantão resolve um problema financeiro imediato. Ele não constrói uma base de pacientes, não cria reputação, não gera retorno recorrente e não pode ser escalado. O médico que trabalha exclusivamente em plantão está trocando horas por dinheiro sem acumular nenhum ativo que continue rendendo quando ele para.

A transição para o consultório não é uma decisão financeira. É uma decisão estratégica. E como toda decisão estratégica, ela falha quando é tomada sem método.

O primeiro erro é abrir o consultório sem antes ter pacientes. A sequência correta é inversa: construir visibilidade, gerar demanda e só então formalizar o espaço. Isso significa começar a produzir conteúdo relevante para a especialidade antes de sair do plantão, ter um perfil consistente no Google Meu Negócio e no Doctoralia e começar a captar avaliações de pacientes que você já atende, seja em plantão, seja em ambulatório.

O segundo erro é confundir presença digital com estratégia digital. Ter Instagram não é estratégia. Estratégia é saber qual tipo de paciente você quer atrair, em qual circunstância ele te procura e qual conteúdo resolve a dúvida que ele tem naquele momento. Um post sobre "o que fazer quando você recebe um diagnóstico de diabetes" fala com o paciente no pico da ansiedade. Um post genérico sobre "controle a glicemia" fala com um perfil que não está em modo de busca.

O terceiro erro é não trabalhar a retenção. Captar paciente novo custa entre 5 e 7 vezes mais do que manter um paciente existente, segundo dados consolidados de marketing de serviços de saúde. O paciente que sai da consulta com a próxima consulta já agendada, com orientações claras por escrito e com a sensação de ter sido ouvido tem uma probabilidade muito menor de trocar de médico do que o que "liga quando precisar". A recorrência é construída no encerramento de cada consulta, não em campanhas de reativação.

O quarto erro é subestimar o tempo. A maioria dos médicos que tenta a transição desiste nos primeiros seis meses porque a agenda não enche no ritmo esperado. A curva de crescimento de um consultório segue um padrão: lento no começo, acelerado depois. O ponto de inflexão costuma acontecer entre o sexto e o décimo segundo mês, quando as indicações começam a se multiplicar e o Google começa a ranquear o perfil. Quem desiste antes do ponto de inflexão nunca vai saber se teria funcionado.

Onde você está hoje: você tem hoje uma fonte clara de novos pacientes que não depende de você estar presente em um plantão? Se a resposta for não, esse é o ponto de partida para pensar na transição.

🇧🇷 Notícia do Brasil

CFM proíbe PMMA em todo o Brasil. A resolução entra em vigor hoje.

Reprodução: O Glob

O Conselho Federal de Medicina publicou nesta terça-feira (2 de junho) a Resolução 2.461/2026, que proíbe em todo o território nacional o uso médico do PMMA como substância preenchedora, tanto para fins estéticos quanto reparadores. A única exceção é o tratamento da lipodistrofia em pacientes com HIV/aids, exclusivamente em unidades de alta complexidade credenciadas pelo SUS e conforme protocolos do Ministério da Saúde.

O PMMA é uma substância sintética formada por microesferas suspensas em gel utilizada como preenchimento permanente, com aplicações em glúteos, face e outras regiões do corpo. O presidente do CFM, José Hiran da Silva Gallo, afirmou que as complicações do PMMA muitas vezes são tardias, relacionadas às características permanentes do produto, e ocorrem mesmo quando aplicadas por médicos especialistas, demonstrando que os riscos suplantam amplamente os possíveis benefícios.

A decisão encerra um debate que se arrastava na medicina estética há anos. As complicações associadas ao PMMA incluem inflamação crônica, granulomas, migração do produto pelo organismo, deformidades progressivas e, em casos mais graves, óbito. O produto era amplamente utilizado por oferecer resultado volumétrico imediato e permanente a custo inferior às alternativas absorvíveis, o que criou uma demanda de mercado que expandiu seu uso muito além das indicações seguras.

🌍 Notícia do Mundo

Finerenona aprovada para ICC com fração de ejeção preservada.

Reprodução: MedPageToday

A insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (HFpEF) era, até recentemente, a maior necessidade não atendida da cardiologia. Metade dos casos de ICC se enquadra nessa categoria, mas por décadas as opções terapêuticas disponíveis eram limitadas a manejo de sintomas e controle de comorbidades. O trial FINEARTS-HF, publicado no NEJM, avaliou 6.001 pacientes com ICC e fração de ejeção acima de 40% por mediana de 32 meses e mostrou que a finerenona reduziu em 16% o risco composto de piora da ICC e morte cardiovascular em comparação ao placebo.

O diferencial da finerenona em relação à espironolactona e à eplerenona está no mecanismo. Como antagonista não esteroidal do receptor mineralocorticoide, a finerenona tem maior seletividade para o receptor e distribuição mais equilibrada entre coração e rins, entregando benefícios cardiovasculares com menor risco de hipercalemia e piora da função renal em comparação aos antagonistas esteroidais.

O benefício foi maior em pacientes com evento recente de piora da ICC: nos enrolados dentro de 7 dias de um evento de descompensação, a redução do risco foi de 26%. O fármaco também reduziu em 24% o risco de novo diabetes tipo 2 nos 3.222 participantes sem diabetes no início do estudo.

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