edição #297

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🗞 atualidades

Quase metade dos médicos brasileiros não tem especialidade

por Dr. João Carvalho e amo medicina

Reprodução/Unsplash

O déficit de especialistas no Brasil tem sido uma preocupação crescente na saúde pública, especialmente quando se observa que quase metade dos médicos brasileiros não tem uma especialidade registrada

Segundo o estudo Demografia Médica no Brasil 2025, há mais de 260 mil médicos generalistas no país, um número que reflete a limitação de vagas na residência médica e a falta de reconhecimento de outros caminhos de especialização.

Atualmente, há um descompasso entre o número de médicos formados e as vagas disponíveis para especialização. Em 2022, 25.500 médicos se formaram, mas em 2023 havia apenas 16 mil vagas de residência médica

Esse déficit de quase 10 mil vagas gera um impacto direto no SUS e nos convênios populares, pois a exigência de RQE (Registro de Qualificação de Especialidade) para credenciamento restringe o acesso da população a médicos capacitados.

Diante desse cenário, cresce a tendência da pós-graduação lato sensu como alternativa para especialização. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) estabelece que o MEC pode normatizar esses cursos, e muitas pós-graduações oferecem cargas horárias e conteúdos equivalentes aos da residência médica. Entretanto, médicos com esse tipo de formação não podem divulgar sua especialidade, o que limita sua atuação no mercado e sua inclusão em editais de concursos públicos.

O presidente da Associação Brasileira de Médicos com Expertise de Pós-Graduação (ABRAMEPO) defende uma regulamentação que reconheça a pós-graduação lato sensu como um caminho legítimo para a especialização médica. A proposta inclui requisitos rigorosos de qualidade e certificação, garantindo que médicos qualificados possam atuar formalmente em suas áreas, suprindo a carência de especialistas no país.

No fim, a solução passa por uma revisão do modelo de formação de especialistas no Brasil, garantindo que mais profissionais possam atuar plenamente em suas áreas, sem criar barreiras burocráticas que penalizem tanto os médicos quanto os pacientes. O futuro da medicina brasileira precisa equilibrar qualidade, acessibilidade e eficiência, para que a população tenha atendimento especializado onde e quando precisar.

diante da falta de vagas em residência médica e do déficit de especialistas no Brasil, qual você acredita que seria a melhor solução?

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🩺 especialidade destaque de hoje

Emergencista: coração acelerado, mente fria

A medicina de emergência é o ponto de encontro entre a imprevisibilidade e a tomada de decisão imediata. O médico emergencista atua na linha de frente, lidando com situações que mudam em minutos — às vezes, em segundos. Mas será que é preciso “gostar de adrenalina” para trabalhar aqui?

Na prática, sim e não. A adrenalina faz parte do cenário: politraumas, infartos, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), paradas cardiorrespiratórias, crises convulsivas, emergências respiratórias… todos esses casos são frequentes na sala vermelha. É necessário estar confortável em ambientes de alta tensão, mas, acima de tudo, o emergencista precisa manter a mente fria para que a ação seja rápida e assertiva.

O perfil ideal combina resistência emocional com capacidade de priorizar. Na emergência, a técnica vem acompanhada de protocolos bem definidos — como o ATLS (Suporte Avançado de Vida no Trauma), ACLS (Suporte Avançado de Vida em Cardiologia) e PALS (Suporte Avançado de Vida Pediátrica) — que guiam cada decisão. Isso não elimina a pressão, mas organiza o caos.

E como lidar com ela? Aqui, entra o treinamento repetitivo e a vivência prática. Um emergencista experiente já avaliou dezenas de quadros semelhantes, sabe quando delegar, como otimizar recursos e como comunicar-se com clareza com a equipe. Outro ponto-chave é o autocuidado: quem vive sob pressão constante precisa conhecer seus limites, investir no descanso e cultivar hobbies fora do hospital.

Seja atendendo uma crise hipertensiva na sala amarela, conduzindo uma intubação difícil na sala vermelha ou acalmando familiares na área de espera, o emergencista é, antes de tudo, o médico que abraça o imprevisível. Não é apenas gostar de adrenalina, é transformar a urgência em ação organizada, salvando vidas com precisão e sangue frio.

🇧🇷 notícia do brasil

Entre muitos diagnósticos, mulher descobre ter distonia

Reprodução/Unsplash

Aos 30 anos, Nilde Soares começou a apresentar tiques involuntários no rosto e pescoço que, com o tempo, se intensificaram a ponto de impedir atividades simples, como sustentar o olhar. Durante quatro anos e meio, ela passou por consultas em grandes hospitais, foi tratada como caso psiquiátrico e tomou mais de 20 medicamentos por dia sem melhora. Nesse período, a dor constante a levou a duas tentativas de suicídio.

O alívio veio apenas no sétimo especialista, um neurologista de distúrbios do movimento, que identificou distonia cervical idiopática — um distúrbio neurológico que causa contrações musculares involuntárias. O diagnóstico, confirmado por eletroneuromiografia, trouxe tanto alívio quanto frustração: finalmente havia uma explicação para o sofrimento, mas também a certeza de que anos haviam sido perdidos com tratamentos equivocados.

Com o tratamento adequado, Nilde encontrou esperança. As aplicações de toxina botulínica devolveram sua capacidade de mastigar sem dor, e, posteriormente, a estimulação cerebral profunda passou a controlar os espasmos. A distonia, embora crônica, pode ser tratada e controlada. Os sintomas incluem dor intensa, movimentos repetitivos e posturas anormais, sendo essencial procurar um neurologista especializado para diagnóstico e acompanhamento corretos.

🌍 notícia do mundo

Robôs minúsculos tratam doenças de dentro para fora com precisão inédita

Reprodução/Unsplash

Cientistas criaram robôs menores que um grão de arroz que se movem dentro do corpo humano. Eles navegam por vasos sanguíneos guiados por campos magnéticos externos precisos. Esses nanorobôs são inspirados em estruturas biológicas e foram projetados para entregar medicamentos de forma superdirecionada, podendo atravessar tecidos, evitar obstáculos, e chegar exatamente onde o tratamento é necessário com mais eficácia e menos efeitos colaterais para o corpo inteiro.

Além de tratar, eles podem detectar doenças, recolher amostras e atravessar barreiras como a hematoencefálica. Os cientistas da Escola Politécnica Federal de Lausanne, na Suíça, criaram o protocolo MoMA, que permite aos robôs se comunicarem no corpo com moléculas, imitando hormônios para coordenar ações como liberação de medicamento.

O sistema foi testado em modelo sintético de vasos humanos, e abre caminho para combater tumores, coágulos e doenças neurológicas de forma personalizada, com robôs atuando de forma quase invisível dentro do corpo. Ainda em fase experimental, essa tecnologia pode revolucionar diagnósticos e tratamento de doenças.

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