Edição #348
Bom dia
Receber encaminhamentos de outros colegas é o motor oculto dos consultórios de sucesso. Hoje, te ensinamos a fazer esse networking B2B de forma elegante (sem parecer que está implorando por pacientes).
Na área tech, respondemos a dúvida de ouro: comprar um POCUS de R$ 15 mil é investimento com retorno real ou apenas luxo? E um alerta rápido para o seu plantão: a Mpox voltou a crescer no Brasil.
Boa leitura.

Na news de hoje:

🤳 Marketing
Networking B2B: A arte de gerar encaminhamentos sem implorar

Na medicina privada, o paciente pode até vir pelo Instagram, mas o fluxo mais constante, qualificado e barato de aquisição ainda é o encaminhamento de outro colega (B2B). O problema é a abordagem. O erro clássico do médico que acaba de abrir o consultório é imprimir mil cartões de visita, bater na porta dos colegas da região e dizer: "Oi, sou o novo especialista em X, encaminha paciente para mim?". Isso não funciona. Encaminhamento é transferência de risco: o colega só vai enviar o paciente dele se confiar cegamente na sua conduta, e confiança não se cria com um pedaço de papel.
O networking inteligente baseia-se em geração de valor prévio. A melhor forma de conseguir um encaminhamento é enviando um paciente primeiro. É o gatilho da reciprocidade. Se você é um cirurgião do aparelho digestivo e atende um paciente com obesidade e transtorno de ansiedade, encaminhe para o psiquiatra da sua região com uma cartinha bem redigida (ou um áudio profissional no WhatsApp). Quando esse psiquiatra precisar de um cirurgião para o paciente dele, adivinhe quem será o primeiro nome na mente dele?
Outra tática infalível é a discussão de caso. Em vez de pedir pacientes, peça uma opinião técnica. Convide aquele cardiologista referência na cidade para tomar um café rápido no hospital sob o pretexto de discutir o manejo de um paciente em comum ou um caso complexo. Você demonstra seu raciocínio clínico, mostra que é atualizado e cria um vínculo de respeito mútuo.
📌 Conduta para agora:
Para o Recém-Formado:
A Abordagem do Café: Escolha 3 especialistas não-concorrentes na sua região (ex: se você é Ortopedista, procure um Reumatologista, um Fisioterapeuta e um Endocrinologista). Mande uma mensagem: "Doutor, admiro muito seu trabalho. Tenho visto casos que cruzam nossas áreas. Teria 15 minutos para um café esta semana? Queria entender melhor seu protocolo para poder te referenciar meus pacientes".
Para o Médico Experiente:
O Relatório de Contrarreferência: Se um colega te enviou um paciente, não o trate como invisível. Ao dar alta ou definir o plano terapêutico, mande um breve relatório por e-mail ou WhatsApp para o médico de origem: "Obrigado pela confiança no caso do Sr. João. Iniciamos a conduta X e ele evolui bem. Sigo à disposição." Isso blinda a parceria para sempre.
🖥️ Tecnologia na Medicina
Gadgets Médicos: O POCUS e o Estetoscópio Digital valem o seu dinheiro?

A medicina vive a "síndrome do objeto brilhante". Todo ano surge um gadget novo prometendo revolucionar a sua anamnese, mas antes de passar o cartão de crédito, precisamos separar o que é ferramenta de trabalho (ROI positivo) do que é apenas um brinquedo caro. Dois dispositivos estão no topo do desejo dos médicos em 2026: o estetoscópio digital e o ultrassom portátil (POCUS).
O Estetoscópio Digital (como o Littmann CORE ou Eko) amplifica o som em até 40x e tem cancelamento de ruído ativo. É fenomenal? Sim. Mas vale a pena? Depende da sua área. Se você é Cardiologista, Pneumologista, faz muita telemedicina (para gravar e enviar o som) ou atende em PS pediátrico barulhento, o investimento (que passa dos R$ 3.500) se justifica. Se você é Psiquiatra, Dermato ou Ortopedista, o seu esteto tradicional de R$ 800 já faz o trabalho perfeitamente.
Já o Ultrassom Portátil / Point-of-Care (POCUS) (como Butterfly iQ+, Lumify) é uma conversa diferente. Ele é, literalmente, o estetoscópio do século XXI. Ter a capacidade de plugar um transdutor no seu smartphone e, em 2 minutos na beira do leito ou no consultório, descartar um derrame pleural, avaliar a volemia ou guiar um acesso venoso profundo, não é apenas um luxo: é mudança de desfecho clínico e redução drástica de iatrogenia. Além disso, no consultório particular, o paciente fica maravilhado ao ver a própria anatomia na tela do tablet, o que aumenta absurdamente o valor percebido da sua consulta.
📌 Conduta para agora:
Para o Recém-Formado/Residente:
Treino antes do Gadget: Não compre um POCUS de R$ 15.000 se você não sabe a diferença entre uma linha A e uma linha B no pulmão. Invista R$ 2.000 em um bom curso prático de ultrassom Point-of-Care primeiro. O aparelho você compra depois com o retorno dos plantões.
Para o Dono de Consultório:
O Efeito "Uau": Se a sua especialidade permite (Reumatologia para articulações, Endocrino para tireoide, Clínica Médica para triagem), o POCUS se paga muito rápido, não pela cobrança do exame em si (que muitas vezes você fará como extensão da anamnese), mas pelo aumento no ticket médio da consulta e na taxa de indicação boca a boca.
Se você tivesse R$ 15 mil livres no caixa do seu consultório hoje, onde você alocaria esse investimento primeiro?
- Gadgets (POCUS): Compraria o ultrassom portátil na hora para encantar o paciente.
- Aquisição de Pacientes: Colocaria 100% em tráfego pago, marketing e assessoria.
- Ambiência/Estrutura: Reformaria a recepção, compraria móveis novos ou máquina de café premium.
- Caixa de Segurança: Guardaria. O cenário atual pede cautela antes de gastar.
💻 Carreira na medicina
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🇧🇷 Notícia do Brasil
Mpox no radar: Brasil ultrapassa 80 casos no início de 2026

Reprodução: Agência Brasil
O Ministério da Saúde confirmou o registro de 88 casos de Mpox no Brasil apenas nestes primeiros meses de 2026. Embora o cenário atual esteja longe do pico epidêmico visto nos anos anteriores, a circulação sustentada do vírus (outrora chamado de varíola dos macacos) exige que a doença retorne para a primeira página das nossas hipóteses diagnósticas, especialmente nas emergências e ambulatórios de atenção primária.
Para a prática clínica diária, o grande desafio da Mpox atual é o diagnóstico diferencial. Diferente dos quadros clássicos e amplamente disseminados descritos na literatura inicial, muitos pacientes têm apresentado poucas lesões e de forma muito localizada, frequentemente na região genital, perianal ou oral. Esse padrão faz com que a doença seja facilmente confundida com ISTs comuns, como sífilis, herpes ou cancro mole. A febre e a linfadenopatia (adenomegalia) prévias ou concomitantes continuam sendo as pistas clínicas mais valiosas para matar a charada.
A conduta médica diante da suspeita deve ser pragmática: isolamento imediato do paciente, coleta de swab das lesões (teto das vesículas/crostas) para PCR e notificação compulsória. Além disso, a anamnese precisa ser direta e destituída de estigmas, focando no rastreio de contatos íntimos e prolongados recentes. A vigilância epidemiológica só funciona quando a ponta, nós, no plantão — mantém um alto índice de suspeição.
🌍 Notícia do Mundo
Inflamação e Cérebro: Ligação Afeta Memória Pós-Atleta

Reprodução: Medicalxpress
Uma recente pesquisa, publicada na revista Neurology, revelou uma importante associação entre níveis elevados de inflamação e uma estrutura cerebral comprometida em ex-jogadores de futebol universitário e profissional. Essa piora na estrutura cerebral, por sua vez, foi relacionada a uma função de memória inferior. É fundamental ressaltar que o estudo estabelece apenas uma associação, não uma relação de causa e efeito direta.
Embora focado em atletas de alto impacto, este achado sublinha a crescente compreensão da inflamação crônica como um fator sistêmico com potencial impacto significativo na saúde neurológica geral. Para além do contexto esportivo, a disfunção cognitiva e a perda de memória são condições multifatoriais que exigem uma avaliação abrangente, onde a inflamação pode ser um componente subjacente.
Na prática clínica, este estudo reforça a necessidade de uma abordagem holística. Médicos recém-formados devem estar atentos à interconexão entre sistemas e considerar a avaliação de marcadores inflamatórios em pacientes que apresentam queixas cognitivas ou fatores de risco para doenças neurodegenerativas, buscando sempre correlacionar com o quadro clínico e histórico do paciente.

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