edição #355

Bom dia.

Segunda começa com quatro pautas que chegam antes do seu primeiro paciente.

O Ozempic oral foi testado em 3.800 pacientes com Alzheimer e não funcionou. Uma decisão judicial devolveu a prescrição de contraceptivos ao médico. Um residente com 2 anos sobrando precisa saber o que está construindo agora, mesmo sem ainda ter consultório. E tem uma conversa que médico de alta renda costuma evitar: o que fazer com o dinheiro além de guardar na renda fixa.

Começa aqui.

🤳 Marketing na medicina

Você ainda está na residência. Mas sua reputação já começou.

Existe uma crença de que marketing médico é coisa para quem já terminou a residência, abriu o consultório e tem paciente para atrair. É uma crença cara. O médico que sai da residência com zero presença digital começa do zero. O que construiu ao longo dos anos, ainda que em tempo parcial, sai na frente com uma vantagem que não se compra depois.

Reputação online não é sobre seguidores. É sobre ser encontrado quando alguém digita o seu nome no Google. E isso começa no primeiro dia que você tem um CRM.

O que é possível fazer durante a residência sem virar influencer. A Resolução CFM 2.336/23 liberou o médico para divulgar seu trabalho nas redes sociais, informar especialidade, divulgar preços, usar depoimentos de pacientes com consentimento e publicar conteúdo educativo. Você não precisa dançar no TikTok. Precisa existir.

Três movimentos simples que qualquer residente consegue executar sem comprometer o estudo e o plantão:

1. Configure o Google Meu Negócio antes de ter consultório. Mesmo sem endereço comercial ainda, você pode criar um perfil profissional vinculado ao seu nome. Quando alguém pesquisar "dr. [seu nome] + sua cidade", você aparece. É gratuito, leva 15 minutos e muita gente ignora por anos.

2. Escolha um tema e poste uma vez por semana. Não precisa ser todo dia. Precisa ser consistente. O tema certo é aquele que você responde na consulta com frequência. Se você é R2 de cardiologia e toda semana explica o que é uma fibrilação atrial para o paciente, esse é o seu conteúdo. Trinta segundos de Reels explicando isso em linguagem acessível alcança mais gente do que qualquer outdoor no consultório futuro.

3. Construa o seu CRM antes de precisar dele. LinkedIn médico, perfil no Doctoralia, página no Instagram com CRM visível na bio. Não é para captar paciente agora. É para que, quando você sair da residência, o Google já tenha histórico do seu nome associado à sua especialidade. SEO leva tempo. Quem começa aos R2 chega ao fim da residência com um perfil que já ranqueia.

O que a residência dá que nada mais dá. Você está imerso em casos reais todos os dias. Tem acesso a raciocínio clínico que o médico de consultório perdeu o contato. Isso é conteúdo. A pergunta que o paciente vai te fazer no consultório daqui a 2 anos é a mesma que o familiar do paciente internado te fez ontem. Responde agora, de forma educativa e sem identificar o caso, e você está construindo autoridade enquanto aprende.

Conduta prática. Esta semana: abra o Instagram profissional, coloque CRM e especialidade na bio, e escreva a pergunta mais frequente que você recebe na residência. Esse é o primeiro post.

💻 Tecnologia na medicina

Você fatura bem. Agora o problema é outro.

Existe um momento na carreira médica em que a questão deixa de ser "como ganhar mais" e passa a ser "como fazer o que já ganho trabalhar". É o momento em que o médico percisa parar de ser só produtor de riqueza e começar a ser gestor de patrimônio.

A maioria não faz essa transição. Continua trabalhando mais horas, aumentando o faturamento, mas sem acumular na mesma proporção. O dinheiro entra, o padrão de vida sobe junto, e o patrimônio líquido cresce devagar demais para o nível de esforço.

O problema da concentração. O médico de alta renda tem, via de regra, 80 a 90% do patrimônio em duas coisas: imóvel e renda fixa. Imóvel é ilíquido, tem custo de manutenção, IPTU e muitas vezes rende menos do que parece quando você desconta todos os custos. Renda fixa é segura, mas a Selic cai. Entramos em 2026 com perspectiva ainda favorável para a renda fixa, mas analistas da Suno Research apontam que o cenário combina juros elevados ao longo de boa parte do ano com maior incerteza política, exigindo análise mais criteriosa e menos ancorada apenas no prêmio oferecido.

Concentrar patrimônio em um único ativo em qualquer cenário é o erro mais comum e mais silencioso que existe.

Três caminhos que fazem sentido para quem já tem reserva de emergência consolidada:

Fundos Imobiliários (FIIs). Em 2026, FIIs com bons imóveis e gestão sólida devem continuar pagando dividendos constantes, isentos de Imposto de Renda para pessoa física. Para o médico PJ que já paga 10 a 11% de IR sobre o faturamento e ainda vai pagar imposto sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais, ter uma fonte de renda isenta de IR não é detalhe. É planejamento tributário. Especialistas recomendam para 2026 equilibrar 50% em fundos de papel e 50% em fundos de tijolo, com perspectiva de aumentar exposição aos fundos de tijolo caso a Selic comece a cair.

Tesouro IPCA+. Especialistas da Suno Research mantêm visão construtiva para os títulos Tesouro IPCA+, especialmente os com duration intermediária, que protegem o poder de compra e oferecem potencial de ganho com a marcação a mercado em cenário de queda de juros. Para o médico que pensa em aposentadoria daqui a 15 ou 20 anos, travar hoje uma taxa real de 7% ao ano protege contra inflação médica, câmbio e tudo mais que pode acontecer no meio do caminho.

Diversificação internacional via BDRs ou ETFs globais. BDRs são certificados emitidos no Brasil que representam valores mobiliários de empresas estrangeiras, permitindo acesso ao mercado internacional sem a necessidade de abrir contas no exterior. Para um médico com renda concentrada no Brasil, ter parte do patrimônio em dólar não é especulação. É proteção contra o risco-país.

A pergunta que organiza tudo. Antes de qualquer alocação, responda: em quantos anos você quer ter a opção de trabalhar porque quer, e não porque precisa? Esse número define o prazo. O prazo define os ativos. Os ativos definem o risco que faz sentido assumir.

Conduta prática. Calcule quanto do seu patrimônio hoje está em imóvel e renda fixa. Se passar de 80%, você tem concentração de risco, não diversificação. Leve esse número para uma conversa com um assessor de investimentos que conheça a realidade do médico PJ.

🇧🇷 Notícia do Brasil

A pílula voltou a ser coisa de médico

A 13ª Turma do TRF1 suspendeu a Resolução CFF 12/2024, que autorizava farmacêuticos a prescrever contraceptivos hormonais. O Tribunal concluiu que a prescrição envolve diagnóstico nosológico e prognóstico, atos privativos de médicos.

Na prática, a escolha do método contraceptivo com definição de tipo hormonal, dosagem e via de administração pressupõe anamnese, exame físico e avaliação de contraindicações como trombofilia, hipertensão e tabagismo. Isso é juízo clínico, não ato protocolar.

O CFF recorreu e a batalha segue. Enquanto a suspensão estiver em vigor, pacientes que renovavam receita de anticoncepcional na farmácia devem retornar ao consultório.

🌍 Notícia do Mundo

O cérebro funciona melhor na beira do caos

Estudo publicado em 21 de março no Journal of Neuroscience mostrou que o cérebro opera de forma mais eficiente perto de um estado chamado criticalidade, uma zona de transição entre inibição excessiva e excitabilidade excessiva. Nessa faixa intermediária, o processamento de informações é maximizado. Crianças cujo cérebro opera mais próximo desse equilíbrio apresentaram QI mais alto.

A analogia mais direta: excitação demais sem freio é epilepsia. Freio demais sem excitação é torpor. O cérebro saudável vive entre os dois, e desvios desse equilíbrio excitação-inibição já estão relacionados clinicamente a epilepsia, esquizofrenia e autismo.

Ainda não há biomarcador clínico validado para uso rotineiro. Mas o conceito já está na base de como anticonvulsivantes e antipsicóticos atuam, e esse tipo de medição por EEG deve chegar ao arsenal diagnóstico nos próximos anos.

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