edição #353

Bom dia.

Hoje você vai sair daqui sabendo três coisas que a maioria dos médicos ainda não sabe: que o Instagram do consultório tem mais valor do que o aluguel; que existe uma ferramenta que preenche seu prontuário enquanto você fala com o paciente; e que o GLP-1 acaba de ganhar um dado surpreendente em pacientes com metástase cerebral.

Ah, e o Mpox está circulando de novo. Em 13 estados. Um deles provavelmente é o seu.

São 5 minutos. Começa aqui.

🤳 Marketing na medicina

O Reels do médico que não aparece está fazendo marketing para o concorrente

Existe uma crença no consultório de que estar fora das redes é uma escolha neutra. Não é. Quando um paciente digita "cardiologista em [cidade]" no Instagram e o seu perfil não aparece, ele agenda com quem aparece. Invisibilidade digital não é discrição, é custo de aquisição perdido.

A Resolução CFM 2.336/23 mudou as regras do jogo e a maioria dos médicos ainda não percebeu o quanto ganhou. Passou a ser permitido informar valores, meios e formas de pagamento, além de anunciar descontos e promover campanhas promocionais. Depoimentos de pacientes podem ser repostados. O famoso "antes e depois" também está liberado, desde que cumpridos critérios de anonimato e caráter educativo.

O que o algoritmo quer de você. O algoritmo da Meta prioriza conteúdos que mantêm a atenção. Um vídeo bem feito, que esclareça uma dúvida comum, pode alcançar milhares de pessoas na sua região. O Reels de 60 segundos explicando quando um paciente deve procurar um cardiologista tem mais alcance orgânico do que um post estático com o diploma na parede.

A estrutura que funciona é simples: abra com uma pergunta que o seu paciente já fez na consulta, responda de forma direta e sem jargão, e termine com uma instrução de ação ("se você tem isso, marque consulta"). Não precisa de iluminação de estúdio. Precisa de clareza.

O que a regra ainda proíbe. Promessas de resultado garantido, superlativos como "o melhor" ou "único que faz X", e ensino de técnicas médicas para não-médicos continuam vedados. O médico pode se anunciar como especialista somente se tiver concluído residência médica cadastrada na CNRM ou sido aprovado em prova de sociedade filiada à AMB, devendo informar o número do RQE registrado no CRM.
Lato sensu pode ser divulgado em formato de currículo, seguido obrigatoriamente da expressão "NÃO ESPECIALISTA" em caixa alta.

Conduta prática. Escolha a pergunta mais repetida pelos seus pacientes no último mês. Grave um Reels de 45 a 60 segundos respondendo essa pergunta. Sem roteiro decorado , fale como falaria na consulta. Publique com seu CRM visível na tela ou na legenda. Isso já é marketing médico ético, rastreável e dentro das normas.

💻 Tecnologia na medicina

O médico que ainda digita prontuário está pagando para trabalhar

Um médico que atende 20 pacientes por dia e gasta 8 minutos por prontuário está dedicando mais de 2 horas por dia à digitação. Em um mês de trabalho, são mais de 40 horas, uma semana inteira de trabalho gasta em burocracia administrativa. Esse número tem solução em 2026.

O que é o prontuário por voz com IA. O prontuário por voz permite ao médico preencher o prontuário eletrônico usando somente a voz, sem precisar digitar. Uma assistente virtual de IA escuta toda a conversa, utiliza algoritmos de reconhecimento de fala e processamento de linguagem natural para transcrever automaticamente o diálogo em texto estruturado. Na prática: o médico fala com o paciente normalmente, e o sistema organiza queixas, hipóteses diagnósticas, condutas e prescrições nos campos corretos do prontuário, em tempo real.

Os dados que importam. 93% dos médicos que implementaram sistemas de IA perceberam melhoria na velocidade e precisão dos dados dos pacientes, e 78% relataram melhor fluxo de trabalho em seus consultórios. Não é promessa de startup, é dado de pesquisa publicado pelo MIT Technology Review.

O impacto financeiro direto. Um estudo da Associação Paulista de Medicina revelou que a taxa de absenteísmo em consultas pode chegar a 30% no Brasil. Clínicas que automatizam confirmação de consulta, lembretes e follow-up por WhatsApp via IA reduzem o no-show em média para abaixo de 10%. Para um consultório com 20 pacientes por dia e ticket médio de R$ 300, cada ponto percentual de redução no no-show é R$ 1.800 por mês.

Ferramentas disponíveis no Brasil hoje. Noa Notes (Doctoralia), iClinic Assist (Afya), GestãoDS com transcrição automática, Lya Health (CTC) e Ampli IA já operam com prontuário por voz integrado. A maioria tem demonstração gratuita e planos a partir de R$ 150 a R$ 400 mensais para consultório individual, menos do que uma hora de trabalho.

Conduta prática. Calcule quantas horas por semana você gasta digitando prontuário. Multiplique pelo valor da sua hora clínica. Se o número for maior do que R$ 400, qualquer uma dessas ferramentas já se paga no primeiro mês.

🇧🇷 Notícia do Brasil

O Mpox voltou e chegou perto de você

Reprodução: Einstein Br

O Ministério da Saúde confirmou 149 casos de Mpox distribuídos em 13 estados brasileiros. Não é surto novo, é reativação de circulação ativa após período de baixa notificação. O perfil epidemiológico atual concentra casos em homens entre 20 e 40 anos, predominantemente em capitais, mas com espalhamento para municípios do interior.

O que muda na sua prática. O paciente com lesões vesiculares ou pustulosas em mucosas, região anogenital, face, palmas e plantas precisa entrar no diferencial de Mpox independente de histórico de viagem. A transmissão ocorre por contato direto com lesões, fluidos corporais ou material contaminado, incluindo roupas e superfícies. O período de incubação é de 5 a 21 dias.

Notificação é obrigatória. Caso suspeito deve ser notificado imediatamente à vigilância epidemiológica municipal, antes mesmo da confirmação laboratorial. Coleta de swab de lesão ativa para PCR. Isolamento domiciliar do caso suspeito até definição diagnóstica.

Vacina. A Jynneos está disponível para profilaxia pós-exposição em até 4 dias após o contato. Verificar disponibilidade na SMS do seu município.

🌍 Notícia do Mundo

O Ozempic pode ajudar quem tem metástase cerebral

Reprodução: Medical Xpress

Um estudo publicado em 11 de março no JAMA Network Open trouxe um achado que vai mudar a conversa com pacientes oncológicos diabéticos: o uso de agonistas do receptor GLP-1 está associado a redução significativa da mortalidade em pacientes com câncer, metástase cerebral e diabetes tipo 2.

Os pesquisadores realizaram um estudo de coorte retrospectivo analisando a associação entre o uso de GLP-1 RA e a sobrevida em pacientes com metástase cerebral e diabetes tipo 2. Após pareamento por escore de propensão, 850 usuários de GLP-1 RA foram comparados a não-usuários dentro de uma coorte total de 19.234 pacientes. A mortalidade por todas as causas foi significativamente menor no grupo em uso de GLP-1 RA, com hazard ratio de 0,63, ou seja, redução de 37% no risco de morte.

Por que o cérebro responde ao GLP-1. Os autores indicam que a ativação do receptor GLP-1 modula vias relevantes para a saúde neuro-oncológica, incluindo atenuação da neuroinflamação, preservação da integridade da barreira hematoencefálica e redução do estresse oxidativo e da disfunção mitocondrial.
Em linguagem clínica: o GLP-1 parece criar um ambiente menos favorável à progressão tumoral no sistema nervoso central.

O que isso não significa. O estudo é retrospectivo e observacional, associação não é causalidade. Não há ensaio clínico randomizado com esse desfecho ainda. Mas o benefício foi consistente entre os principais tipos de câncer e entre as diferentes moléculas do grupo, com exceção da liraglutida.

Conduta prática. Para pacientes com diabetes tipo 2 que já usam GLP-1 RA e desenvolvem diagnóstico oncológico com comprometimento do SNC: a evidência atual não suporta iniciar o GLP-1 com finalidade antitumoral, mas também não há motivo para suspendê-lo por esse diagnóstico. A conversa multidisciplinar com oncologia e endocrinologia é o caminho.

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