edição #379

Bom dia. O médico que não trata o consultório como empresa vai continuar trocando tempo por dinheiro indefinidamente. O Brasil foi eleito para o corpo diretivo da International Association for Ambulatory Surgery, ampliando sua presença nas decisões globais do setor. O ADA 2026, o maior congresso de diabetes do mundo, aprovou pela primeira vez o uso de GLP-1 para adultos com diabetes tipo 1. E a Pneumo 20, vacina que protege contra 20 sorotipos pneumocócicos, começa a ser distribuída nas UBS ainda este mês.

💰 Gestão Financeira - Confira o que está em alta

Gestão financeira do consultório: como começar sem precisar virar contador.

O médico que abre um consultório sem entender de gestão financeira está construindo uma empresa sem saber que é um empresário. E esse é o erro mais comum, e mais caro, da transição do plantão para a prática própria.

A boa notícia é que gestão financeira básica do consultório não exige contador de cabeceira nem planilha sofisticada. Exige método. E o método começa com quatro separações fundamentais.

Primeira separação: conta PJ e conta PF. Todo o faturamento do consultório entra na conta jurídica. Todo o custo pessoal sai da conta física. O médico que mistura os dois nunca vai saber se o consultório dá lucro ou não, porque os números estão sempre contaminados por despesas pessoais e vice-versa. Abrir uma conta PJ é o primeiro passo, não o último.

Segunda separação: pro-labore e lucro. O pro-labore é o salário fixo que o médico paga a si mesmo mensalmente, independentemente de quanto o consultório faturou. O lucro é o que sobra depois de pagar todos os custos, incluindo o pro-labore. Sem essa separação, o médico tende a retirar todo o dinheiro que entra, sem reserva para meses fracos, para investimento em equipamentos ou para imprevistos.

Terceira separação: custos fixos e variáveis. Aluguel, contador, folha de equipe, sistema de prontuário: esses são os custos que existem independentemente de quantas consultas você fez no mês. Material de consumo, comissões, exames terceirizados: esses variam com o volume. Saber essa distinção permite calcular o ponto de equilíbrio, ou seja, quantas consultas você precisa fazer por mês para cobrir todos os custos antes de ter lucro.

Quarta separação: reserva do consultório e reserva pessoal. O consultório precisa de uma reserva operacional equivalente a dois a três meses de custos fixos. A pessoa física precisa de uma reserva de emergência equivalente a seis meses de custo de vida. As duas não são a mesma coisa e não devem estar na mesma conta.

Feitas essas quatro separações, o mínimo já está funcionando. A partir daí, o próximo passo é entender o ticket médio por consulta, a taxa de ocupação da agenda e o custo de aquisição de cada novo paciente. Essas três métricas, acompanhadas uma vez por mês, mostram se o consultório está crescendo, estagnado ou consumindo reservas sem que o médico perceba.

Onde você está hoje: você sabe quanto o seu consultório faturou no último mês? E quanto sobrou depois de pagar todos os custos, incluindo o seu pro-labore? Se a resposta for não, esse é o diagnóstico. O tratamento começa com a separação das contas.

Rapidinhas

🇧🇷 Notícia do Brasil

Brasil entra no corpo diretivo da cirurgia ambulatorial mundial.

A cirurgia ambulatorial brasileira ampliou sua participação na governança internacional com a eleição de Fabrício Galvão, ex-presidente e atual conselheiro da SOBRACAM, para o Corpo Diretivo da International Association for Ambulatory Surgery (IAAS). A escolha ocorreu durante a Assembleia Geral realizada em Dubrovnik, na Croácia, às vésperas do 16º Congresso Internacional de Cirurgia Ambulatorial. O Management Body é composto por 12 membros e representa sociedades de 22 países.

O contexto que torna essa eleição relevante vai além do prestígio institucional. A cirurgia ambulatorial é uma estratégia de cuidado que permite realizar procedimentos cirúrgicos eletivos sem necessidade de internação hospitalar, com previsão de alta no mesmo dia ou em até 24 horas. Além da racionalização dos custos, os serviços ambulatoriais diminuem o tempo de internação, oferecem menor risco de infecção hospitalar e representam uma das principais alavancas de sustentabilidade dos sistemas de saúde público e privado.

No Brasil, a adoção do modelo ambulatorial ainda está aquém do potencial. A SOBRACAM apresentou ao Congresso Nacional uma proposta de Política Nacional de Cirurgia Ambulatorial que busca expandir o modelo no SUS e reduzir filas de cirurgias eletivas. A entrada do Brasil no corpo diretivo global abre um canal direto para acompanhar tendências, benchmarks internacionais e diretrizes que vêm moldando o modelo em países onde a cirurgia ambulatorial já responde por mais de 70% dos procedimentos cirúrgicos eletivos.

🌍 Notícia do Mundo

ADA 2026: GLP-1 aprovado para diabetes tipo 1, CGM para todos e o futuro do manejo do diabetes.

Reprodução: Diabetesincontrol

O Congresso Científico da American Diabetes Association (ADA) reuniu mais de 12 mil profissionais em Nova Orleans entre 5 e 8 de junho com foco em três grandes eixos: terapias incretínicas de nova geração, tecnologia em diabetes e atualização dos Standards of Care 2026.

A mudança mais impactante nas diretrizes foi a aprovação formal do uso de GLP-1 para adultos com diabetes tipo 1. Pela primeira vez, as diretrizes da ADA passam a recomendar GLP-1 e medicamentos similares para adultos com diabetes tipo 1 que tenham IMC acima de 30, destacando os benefícios além do controle glicêmico, como proteção renal, cardiovascular e hepática. Isso representa uma expansão significativa do uso de uma classe que, até agora, tinha indicação restrita ao diabetes tipo 2.

O trial CONNECT, apresentado no congresso, trouxe o primeiro dado de nível A de evidência apoiando o uso de CGM em pacientes com diabetes tipo 2 que não usam insulina. O estudo randomizado com 283 adultos em 22 consultórios de atenção primária mostrou redução clinicamente significativa da HbA1c no grupo que usou o Dexcom G7 por 26 semanas em comparação ao grupo controle. Isso deve expandir as indicações de CGM para muito além dos pacientes insulinizados.

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